PROJETO “DEBATE, CAFÉ E CINEMA” TRANSFORMANDO VIDAS ATRAVÉS DAS VISITAS DE CAMPO ÀS ESCOLAS PÚBLICAS NA ZONA NORTE DE NATAL/RN
Trabalho apresentado no I Encontro de Ciência, Tecnologia, Ensino e Cultura (CiTEC) do Campus de Natal (CaN) em 01 de Outubro de 2019.
PROJETO “DEBATE, CAFÉ E CINEMA” TRANSFORMANDO VIDAS ATRAVÉS DAS VISITAS
DE CAMPO ÀS ESCOLAS PÚBLICAS NA ZONA NORTE DE NATAL/RN
Aurélia Carla Queiroga
da Silva[1]
Evelinny Alves de
Oliveira[2]
Karen Luar Miranda
Barros[3]
Regina Lúcia de Araújo
Silva[4]
RESUMO
INTRODUÇÃO O Projeto de Extensão:
“Debate, Café e Cinema” busca depurar a relação entre Direito & Cinema,
como técnica de reflexão crítica sobre casos práticos de aplicação da Norma,
com substrato lúdico, visando conscientizar os jovens das escolas públicas da
cidade de Natal/RN acerca dos seus direitos e como proceder quando estes são
afetados. Objetiva-se espargir conhecimento sobre institutos jurídicos próximos
a realidade cotidiana dos jovens atendidos pelo Projeto, com ênfase ao
público-alvo da Zona Norte de Natal, proporcionando o exercício da cidadania, na
medida em que encaminha os casos potencialmente lesivos ao NPJ - Núcleo de
Prática Jurídica do Curso de Direito. METODOLOGIA A metodologia aplicada se dá através
da atuação dos extensionistas (bolsista e voluntários)
realizando-se visitas de campo às Escolas Públicas, oportunizando um diálogo
multidisciplinar com os alunos do Ensino Médio, que receberam informações
esclarecedoras sobre os Direitos Fundamentais previstos na CF/88, através de
várias ações interativas: exibição de filmes temáticos, distribuição de cartilhas
educativas, participação nas dinâmicas de grupo, etc. RESULTADOS Constatou-se
que o Projeto, tem oportunizado ao público-alvo informações
valiosas acerca dos direitos fundamentais, sanando dúvidas e disseminando
noções de cidadania. Verificou-se que a ação
extensionista do Projeto: “Debate, Café e Cinema” vai além do trabalho
educativo, posto que atua transformando “vidas”, sobretudo em face da
comunidade carente da Zona Norte de Natal/RN, por fomentar uma relevante
prestação de serviço, mediante o atendimento advocatício de qualidade à
população, cujos filhos estudam nas escolas públicas e são estimulados a lutar
por seus direitos, concretizando proativamente o processo de emancipação
social.
PALAVRAS-CHAVE: Debate. Direito. Extensão. Escolas Públicas.
Emancipação Social.
A extensão universitária
está prevista na legislação brasileira desde 1931 mediante o Decreto nº 19.851
que estabeleceu as bases do sistema universitário brasileiro. Essa perspectiva
se fortalece a partir do amadurecimento do papel das universidades no
desenvolvimento do país, principalmente ao que condiz às exigências “no âmbito
das lutas pelas reformas estruturais, que se deram nos anos 1950 até 1964”. (PAULA,
2013, p. 14)
Nota-se assim, que o
desenvolvimento da extensão universitária acompanha os ideais democráticos que
se erigem principalmente no período dos regimes autocráticos, alinhando-se no
engajamento das lutas por uma educação democrática e popular, exigindo assim,
uma postura clara e ativa diante das demandas sociais, políticas e econômicas
emergentes no país.
A Universidade Estadual do
Rio Grande do Norte – UERN já possui uma longa tradição na prática
extensionista, efetivando-a enquanto elemento primordial da cultura
universitária, respondendo tanto à produção acadêmica quanto a socialização do
conhecimento produzido. Dessa forma, o projeto de extensão “Debate, Café e
Cinema” surge no ano de 2011 com o propósito de implementar no âmbito do curso
de direito a experiência de extensão enquanto dialogo vivo entre os futuros
operadores do direito e a comunidade, contribuindo com o ideal de uma formação
humanística capaz de pensar novas práticas que fortaleçam a democratização do
direito através do sistema de justiça à população de forma equitativa.
O presente trabalho busca
então socializar, a rica experiência que o projeto tem proporcionado junto aos
alunos das Escolas Públicas na zona norte do Natal. A perspectiva de dialogo e
comunicação acerca dos Direitos Fundamentais inerentes às pessoas,
identificando as ferramentas necessárias para que esses possam ter uma atuação
cidadã adequada e crítica frente à realidade objetiva a qual vivenciam.
DESENVOLVIMENTO
O projeto “Debate, Café e Cinema” vem
construindo ao longo dos últimos oito anos uma parceria sólida entre a
Universidade e a comunidade do Natal, na produção e socialização de
conhecimento da área jurídica de grande relevância social, efetivando assim, a
formação integral dos sujeitos e a concretização do papel científico e social
da Universidade através do tripé ensino/pesquisa/extensão. O que se apreende da
experiência de extensão é a relação profícua entre a comunidade acadêmica e a
sociedade, onde ambas experenciam troca de saberes e vivências compondo o
processo dialético teoria/prática.
Segundo Paula (2013, p. 21) cabe à extensão “motivar
a inteligência da universidade”, pois é essa que abre caminho para um universo
imenso de possibilidades de proposições e atuações que permeiam não só o
espectro político, social e cultural, mas, econômico. Diante da complexa
realidade do mercado de trabalho, onde se destaca profissionais especializados,
é necessário que a universidade realize esse chamamento para uma formação
humanista e crítica que compreenda o indivíduo em seu aspecto integral.
Cabe aqui destacar a importância da permanente
luta pela educação pública e de qualidade, compreendendo que esta é ferramenta
chave de combate as profundas desigualdades do país, principalmente em tempos
de ataques cínicos de certos setores da sociedade que estão construindo uma
percepção negativa quanto a qualidade, objetivos e eficiência do equipamento
público de educação, em troca dos ideais privatistas e a submissão da educação à
dinâmica e valores do mercado, como mostra Marrach (2002, p. 49):
“Como observamos, a
novidade, se é que assim se pode chamar, do projeto neoliberal para a educação
não é só a privatização. O aspecto central é a adequação da escola e da
universidade pública e privada aos mecanismos de mercado, de modo que a escola
funcione à semelhança do mercado”.
O sucateamento da educação pública como tem
sido feito atualmente, com cortes avultosos, afeta diretamente as condições de
atuação das escolas públicas. Como o projeto “Debate, Café & Cinema” tem
presenciado, os desafios continuam gigantes para a comunidade escolar que ainda
enfrentam problemas básicos, como estruturas dos prédios com debilidades, salas
quentes sem climatização ou até mesmo ventiladores, a dificuldade de acesso a
equipamentos tecnológicos e mesmo a dificuldade em manter a equipe de
profissionais. Diante dessa realidade, ainda existe demandas mais complexas
como a difícil carga horária e desvalorização da categoria de professores
reunida à diversidade de estudantes que as escolas recebem. Os problemas
sociais que esses vivenciam em suas casas e comunidade acaba se apresentando
também nas escolas tornando um desafio gigantesco para os educadores.
Essa é a apresentação do contexto na qual o
projeto tem se inserido e que tem se apresentado como um recurso importante na
vivência das escolas, não só pela utilização da ferramenta cinematográfica, mas
pela apresentação dos temas sociais relevantes amparados na base jurídica que
não é um conteúdo trabalhado nas escolas. Como se sabe, apesar da constituição
no Art. 5º na CF/88 sobre a garantia do acesso à justiça, o sistema judiciário
ainda apresenta grandes desafios à participação das populações pobres. Como
afirma Sadek (2014, p. 57) “dificilmente se poderia dizer que a vivência de
direitos seja minimamente igualitária ou compartilhada por todos”. E elenca algumas
questões que se apresentam como impencílios ao acesso à justiça:
“os problemas e dificuldades decorrentes da
pobreza” que afeta o “conhecimento de como ajuizar uma demanda; e a da
disposição psicológica para ingressar na justiça. (...) O linguajar hermético
por parte dos operadores do direito, procedimentos complicados, o excesso de
formalismo, e os ambientes que provocam intimidação, como a suntuosidade dos
tribunais”. Além de “representação dos direitos difusos” para efetivação dos
“direitos supraindividuais, referidos a grupos, categorias, coletividades”. (p.
58)
Portanto, como se verifica, os desafios são gigantes ao que tange ao
papel da Universidade à sociedade, principalmente no âmbito do curso de
direito, onde se apresenta a urgente necessidade do aprofundamento do ideário
democrático de participação popular e igualdade de oportunidades, sendo
elementar a proposição do debate jurídico já nas formações iniciais, promovendo
assim uma nova cultura sobre o pensar direito.
METODOLOGIA
O projeto “Debate, café e cinema” propõe uma
didática interdisciplinar capaz de apreender as diversas áreas do conhecimento,
comprometendo-se com uma formação integral e humana. As utilizações dos meios tecnológicos e das
redes sociais nas escolas são exigência urgente nos dias atuais, para que esta
prossiga sendo base de produção científica e de vivência comunitária capaz de
acompanhar as transformações sociais emergentes. Dessa forma, utiliza-se como
ferramenta o cinema, esse que apresenta inúmeros recursos de fácil assimilação
pelo público. Como diz Modro (2009, p. 13, 21) “a imagem é um signo
universalmente reconhecido e facilmente assimilável” e o cinema “um mundo de
infinitas possibilidades emocionais”.
Anualmente é realizado a
escolha de 4 (quatro) temas sociais relevantes, sendo dois temas por semestre,
apresentando esses em cada escola. A perspectiva é que se realize no mínimo 8
(oito) intervenções, ou seja, a realização de atendimento à 4 (quatro) escolas.
No entanto, compreende-se, dada a experiência do projeto, que as escolas
apresentam suas próprias demandas, devendo ocorrer algumas adaptações às
exigências reais durante o processo de intervenção. Além da necessária pesquisa
bibliográfica, o projeto trabalha com a confecção de materiais como cartilhas,
dinâmicas e slides que auxiliem no processo de diálogo com os estudantes e o
tema a ser abordado.
Como percebe-se, o campo de extensão é um
campo rico de possibilidades, assim como se apresenta no projeto, uma
oportunidade de produção e utilização de diversas ferramentas pedagógicas, que
superam o ideal mecanicista de reprodução de técnicas e conhecimentos. Como diz
Paulo Freire (1983) que o sentido de extensão corresponda ao conceito de
comunicação, possibilitando que público-alvo e extensionistas estejam no mesmo
campo de produção de conhecimento, através de uma opção libertadora onde seus
interlocutores desfrutem de uma postura e atuação crítica diante de qualquer
situação concreta.
RESULTADOS E
DISCUSSÕES
Tendo por base a discussão realizada, sabe-se
que o conhecimento jurídico não é um conhecimento aplicado de fácil assimilação
principalmente pelos leigos quanto ao direito, principalmente pelo linguajar
hermético dos profissionais. Dessa forma, tendo compreensão dessas debilidades
que dificulta o acesso da população ao sistema jurídico, que é ferramenta
essencial para a garantia dos direitos, o projeto “Debate, Café & Cinema”
propõe assim a construção de um conhecimento acessível, que possa ser
trabalhado nos anos iniciais escolar, tendo assim, o público-alvo os
adolescentes do ensino médio. Esses já estão em fase preparatória tanto às
Universidades quanto ao mercado de trabalho, sendo assim, de suma importância
fomentar a análise crítica da aplicação do Direito na esfera social.
Como já apresentado, o projeto tem uma
história de oito anos, alicerçada através da experiência extensionista, e essa
ação tem proporcionado vivências de rico teor na produção acadêmica tanto de
extensão quanto no potencial campo de pesquisa proporcionado pela aproximação
com a comunidade escolar. O projeto assim tem garantido a plena efetividade dos
ideais de extensão, proporcionando tanto uma formação diferenciada aos
operadores do direito quanto, transformações aos sujeitos que compõem o sentido
da comunidade escolar.
O projeto apresenta um programa de ação
bastante sólido dedicando-se inicialmente ao treinamento e capacitação dos
extensionistas bem como uma intensa produção acadêmica no que diz respeito a
necessária pesquisa para levantamento bibliográfico e jurisprudencial, bem como
a análise dos filmes para adequação aos temas sugeridos e a idade dos
estudantes, e demais produção de materiais que colaborarão com a fácil
assimilação do conteúdo jurídico.
O cinema tem sido um recurso extraordinário, reconhece-se este como uma
ferramenta universal, pois trabalha com imagens e sons, conseguindo transmitir
as mensagens de forma a conquistar no expectador os mais diversos sentimentos
em relação ao tema em discussão. Como afirma Modro (2009, p. 22) “A
linguagem visual veiculada pelos filmes pode auxiliar no trabalho em sala de
aula, inclusive no caso do ensino do Direito, já que, percebe-se que muitos
deles focalizam temas pertinentes ao mundo jurídico e possibilitam uma
exploração mais detalhada acerca dos assuntos abordados”.
A exemplo das vivências no período do semestre
2019.1, os temas abordados foram “Os direitos dos idosos” e “Pedofilia na
Internet”, sendo os filmes, respectivamente, Conduzindo Miss Daisy, um dos
filmes clássicos do cinema norte americano, e o filme Confiar, lançado em 2011.
Percebeu-se que a temática do idoso é um tema difícil de trabalhar com os
jovens, houve certa falta de interesse sendo demonstrada na dificuldade de
atenção quanto ao filme. Identificou-se assim, a extrema necessidade de
sensibilização quanto ao tema, aprimorando através do dialogo a discussão de
casos próximos e íntimos, buscando que os mesmo pudessem apresentar seus
relatos (Figura 1).
Durante o processo de intervenção optou-se
pela mudança do filme Conduzindo Miss Daysi para o telefilme nacional de 2012,
exibido pela Tv Globo. Ambos produzem uma carga emocional diferente, já que o
primeiro utiliza do gênero drama de forma mais intensa, e o filme nacional se
ampara na comédia para reproduzir os dramas do envelhecimento, tendo uma
recepção dos alunos bastante satisfatória (Figura 2). Apreende-se aqui, a suma
importância do papel dos extensionistas no projeto, não só pela capacidade de
dominar o assunto abordado, mas de perceber que o espaço de extensão é um
espaço vivo, dinâmico e que, portanto carece de um permanente processo de
avaliação que possa atender as demandas surgidas no percurso para que se
alcance os objetivos desejados com eficiência.
Cabe também destacar, a extrema importância
que tem ganhado o processo avaliativo, principalmente ao que tange as políticas
públicas para que estas efetivem seu compromisso social, e não poderia ser
diferente no processo de ensino-aprendizagem. Como considera Vasconcellos (1994, p.43)
sobre a avaliação, esta é “um processo abrangente da existência humana, que
implica uma reflexão crítica sobre a prática, no sentido de captar seus
avanços, suas resistências, suas dificuldades e possibilitar uma tomada de
decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos”.
Diferentemente, o tema pedofilia na internet
revelou-se bastante intenso tanto na interação dos estudantes com o filme e
desses no momento das discussões. Compreende-se que esta temática seria um tema
diretamente relacionado com a vida dos adolescentes, e portanto, um tema que
desembocou na manifestação de diversos sentimentos, desde a repulsa em não
conseguir ver o desenvolvimento do filme como a manifestação de relatos, como a
apresentada por uma adolescente que compartilhou sua experiência em um
aplicativo de encontro. A mesma informou que quem estava em contato a cada
conversa ia mudando algumas informações, como a questão de se apresentarem como
um casal que gostaria de uma nova experiência e logo em seguida, a pessoa, que
seria uma mulher, pedir para que a estudante fosse ao encontro de seu marido. A
estudante felizmente demonstrou suspeita e medo, finalizando a conversa.
Como se sabe, esse é um mundo novo apresentado
pelas redes sociais. Cada vez mais as pessoas abandonam a ideia de privacidade
para a manutenção de vínculos virtuais, e neste âmbito, as práticas de
pedofilia encontram assim uma nova ferramenta que torna ainda mais complexo o
combate a essa prática, principalmente quando a escola ainda trabalha o tema da
sexualidade na adolescência de forma superficial.
Por fim, importante evidenciar a importância
da aplicação do exercício interdisciplinar como chave para implementação de um
conhecimento integral, como foi notado, tanto no âmbito dos direitos da criança
e do adolescente como do idoso, as políticas públicas trabalham em uma rede de
proteção para a garantia do atendimento prioritário a esse público.
Dessa forma, a indicação de certas demandas
jurídicas que parecem inacessíveis no sistema judiciário, como o medo de
realizar as denúncias e a falta de sensibilidade no atendimento, podendo ser
indicadas aos serviços de assistências social como CRAS e CREAS, se demonstrou
promissor, pois o público demonstrou conhecimento e proximidades com esses
equipamentos da assistência por estarem localizados em seus bairros. Bem como o
fomento da aproximação desses ao conhecimento com o universo da Universidade, à
exemplo do desenvolvimento do NPJ
– Núcleo de Prática Jurídica, vinculado ao Curso de Direito do CAN/UERN que
atende a população da zona norte do Natal.
FIGURAS:
FIGURA
1 –
Visita à E.E. Peregrino Júnior (NATAL, 2019).
FIGURA
2 –
Visita à E.E. Instituto Padre Miguelinho (NATAL, 2019).
FIGURA
3 –
Visita à E.E. Zila Mamede
FIGURA
4 –
Visita à E.E. Walter Pereira
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Ao longo de seus oito anos o projeto “Debate, Café e Cinema” tem
construído uma parceria sólida entre a Universidade e as Escolas públicas da
zona norte do Natal, fortalecendo assim a produção extensionista e aprofundando
essa experiência em seus aspectos principiológicos quanto a
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; a interação dialógica com
a sociedade; a inter e a transdisciplinaridade como princípios organizadores
das ações de extensão; a busca do maior impacto e da maior eficácia social das
ações e a afirmação dos compromissos éticos e sociais da universidade (PAULA, 2013).
O projeto também é
pioneiro no desenvolvimento da perspectiva de empoderamento e conscientização
quanto à correta aplicação da Lei as situações vivenciadas no cotidiano dos
jovens em suas comunidades, percebendo-se não só o desejo desses pela
experiência do projeto como o interesse das escolas com a manutenção da
parceria.
Portanto, o projeto “Debate, Café e Cinema” tem trabalhado na perspectiva
da democratização do direito, na contribuição de uma formação humanística de
profissionais que constroem junto à sociedade um conhecimento crítico, no
sentido do empoderamento tanto dos indivíduos, mas desses enquanto comunidade,
enquanto ser coletivo, capazes de intervir em sua realidade. Como diz Paulo
Freire (1983, p. 28), só no processo dialógico é possível a construção de um
verdadeiro humanismo, pois “O diálogo é o encontro amoroso dos homens
que, mediatizados pelo mundo, o “pronunciam”, isto é, o transformam, e,
transformando-o, o humanizam para a humanização de todos”.
ABSTRACT
The Extension
Project: “Debate, Coffee and Cinema” seeks to debug the relationship between
Law and Cinema, as a critical reflection technique on practical cases of
application of the Standard, with playful substratum, aiming at raising
awareness among the public schools in Natal / RN about your rights and how to
proceed when they are affected. The objective is to spread knowledge about
legal institutes close to the daily reality of young people assisted by the
Project, with emphasis on the target public of the North Zone of Natal,
providing citizenship, as it refers potentially harmful cases to NPJ - Nucleus
of Legal Practice of the Law Course. The applied methodology is through the
actions of the extensionists (scholarship holders and volunteers) making field
visits to the Public Schools, providing a multidisciplinary dialogue with the
high school students, who received enlightening information about the Fundamental
Rights provided for in CF/88, through various interactive actions: exhibition
of thematic films, distribution of educational booklets, participation in group
dynamics, etc. It was found that the Project has provided the target audience
with valuable information about fundamental rights, solving doubts and
disseminating notions of citizenship. It was found that the extension action of
the Project: “Debate, Coffee and Cinema” goes beyond the educational work,
since it acts transforming “lives”, especially in the face of the needy
community of the North Zone of Natal / RN, by promoting a relevant provision.
of service, through the quality attorney service to the population, whose
children study in public schools and are encouraged to fight for their rights,
proactively materializing the process of social emancipation.
KEYWORDS: Debate. Right. Extension. Public schools. Social emancipation.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE,
Paulo. Extensão ou comunicação?. Tradução
de Rosisca Darcy de Oliveira; prefácio de Jacques Chonchol. 7ª ed. Rio de
Janeiro, Paz e Terra, 1983.
MARRACH,
Sonia Alem. Neoliberalismo e educação. In: Infância,
educação e neoliberalismo. Paulo Ghiraldeli Jr. (Org.) – 3. Ed. – São
Paulo, Cortez, 2002. – (Coleção Questões da Nossa Época; v. 61).
MODRO, Nielson R. O mundo jurídico no cinema.
Blumenau: Nova Letra, 2009.
PAULA, João Antonio de. A extensão universitária: história, conceitos e propostas.
Interfaces - Revista de Extensão, v. 1, n. 1, p. 05-23, jul./nov. 2013.
RIBEIRO,
R. M. C. A extensão universitária como
indicativo de responsabilidade social. Revista Dialogos: pesquisa em extensão universitária, Brasília, v.15,
n.1, jul, 2011.
p81-88.
SADEK, Maria Tereza Aina. Acesso à justiça: um direito e seus obstáculos. REVISTA USP, São
Paulo: n. 101, p. 55-66, março/abril/maio 2014.
VASCONCELLOS,
C. S. A construção do conhecimento em sala de aula.
São Paulo: Cadernos Pedagógicos do Libertad 2, 1994.
[1]
Professora orientadora, Mestre em Direito pela UFRN - Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Professora da Área Propedêutica e de Direito Civil pela
UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Curso de Direito, CAN –
Campus Avançado de Natal. E-mail: aureliacarla@yahoo.com.br
[2]
Graduanda em Direito pela UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte,
Extensionista do projeto Debate, Café e Cinema, Curso de Direito, CAN – Campus
Avançado de Natal. E-mail: eva.linny9@gmail.com
[3]
Graduanda em Direito pela UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte,
Extensionista do Projeto, Curso de Direito, CAN – Campus Avançado de Natal. E-mail:
karenluarmiranda@hotmail.com
[4]
Graduanda em Direito pela UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte,
Extensionista do projeto Debate, Café e Cinema, Curso de Direito, CAN – Campus
de Natal. E-mail: regilu83@gmail.com




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